quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Maldade

“O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquelas que permitem a maldade.”

Maldade

Luz

"É impossível se calar quando se sente, quando se tem a convicção absoluta de que se poderia ajudar a fazer luz."

Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Crime e Castigo (1866)

Liderança

"Quando um líder toma a decisão de colocar a segurança e as vidas das pessoas de dentro da organização em primeiro lugar, de sacrificar os resultados tangíveis para que as pessoas permaneçam, sintam-se seguras e parte do grupo, coisas extraordinárias acontecem. [...]. Grandes líderes jamais sacrificariam as pessoas para salvar os números. Eles sacrificariam os números para salvar as pessoas."


Children


“Accept the children the way we accept trees — with gratitude, because they are a blessing — but do not have expectations or desires.You don’t expect trees to change, you love them as they are.”

Isabel Allende (1942-)

Photo: Murilo Ganesh

Mortos

"Falar alto no escuro é também uma das grandes violências, é grave, é desrespeitar a natureza das coisas. Por isso dos mortos nada escutamos porque morrer é a terra cobrir os corpos, e é denso, um escuro permanente, sólido, como uma construção negra, mas sem matéria. Não os ouvimos."

Gonçalo M. Tavares (1970-). água, cão, cavalo, cabeça. Editorial Caminho, 2007, p. 54

Clube do Livro FAPAM


Rebanhos

“Olá, guardador de rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?

Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?


Muita cousa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras cousas.
De memórias e de saudades
E de cousas que nunca foram.

Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira.
E a mentira está em ti.”

Fernando Pessoa (1888-1935) do poema “O Guardador de Rebanhos” (1914)

Depressão espiritual


"Você tem uma classe inteira de rapazes e moças fortes e sólidos, e eles querem dar suas vidas para alguma coisa. A publicidade faz com que eles corram atrás de carros e roupas que eles não precisam. Eles trabalham em profissões que odeiam, por gerações inteiras, unicamente para poder comprar aquilo que eles verdadeiramente não precisam.

Nós não temos uma grande guerra na nossa geração, nem uma grande depressão, mas sim, no entanto, nós temos uma grande guerra do espírito. Nós temos uma grande revolução contra a cultura. A grande depressão, são nossas existências. Nós temos uma grande depressão espiritual."

Chuck Palahniuk (1962-). Fight Club (1996). Paris: Gallimard, 1999, p. 214-215

["Tu as une classe entière de jeunes hommes et femmes forts et solides, et ils veulent donner leur vie pour quelque chose. La publicité les fait tous courir après des voitures et des vêtements dont ils n'ont pas besoin. Ils travaillent dans des métiers qu'ils haïssent, par générations entières, uniquement pour pouvoir acheter ce dont ils n'ont pas vraiment besoin.

Nous n'avons pas de grande guerre dans notre génération, ni de grande dépression, mais si, pourtant, nous avons bien une grande guerre de l'esprit. Nous avons une grande révolution contre la culture. La grande dépression, c'est nos existences. Nous avons une grande dépression spirituelle."]

Filósofos

"Tenho lido os filósofos. São uns caras realmente estranhos, engraçados e loucos. Jogadores. Descartes veio e disse: é pura bobagem o que esses caras estão falando. Disse que a matemática era o modelo da verdade absoluta e óbvia. Mecanismo. Então, Hume veio com seu ataque à validade do conhecimento científico causal. E depois veio Kierkegaard: ‘Enfio meu dedo na existência – não tem cheiro de nada. Onde estou?’. E depois veio Sartre, que sustentava que a existência é absurda. Adoro esses caras. Embalam o mundo. Será que tinham dor de cabeça por pensar dessa forma? Será que uma torrente de escuridão rugia entre seus dentes? Quando você pega homens como esses e os compara aos homens que vejo caminhando nas ruas ou comendo em cafés ou aparecendo na tela da TV, a diferença é tão grande que alguma coisa se contorce dentro de mim, me chutando as tripas.”

Charles Bukowski (1920-1994). O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio

Morte em vida

"O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam ou não levam até a sua morte. Não reverenciam suas próprias vidas, mijam em suas vidas. As pessoas as cagam. Idiotas fodidos. Concentram-se demais em foder, cinema, dinheiro, família, foder. Suas mentes estão cheias de algodão. Engolem Deus sem pensar, engolem o país sem pensar. Esquecem logo como pensar, deixam que os outros pensem por elas. Seus cérebros estão entupidos de algodão. São feios, falam feio, caminham feio.Toque para elas a maior música de todos os tempos e elas não conseguem ouvi-la. A maioria das mortes das pessoas é uma empulhação. Não sobra nada para morrer."

Charles Bukowski (1920-1994). O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio

Perda de talentos

"...você não mantém as ótimas pessoas em ambientes de trabalho onde a realização individual é desencorajada ao invés de encorajada. As ótimas pessoas saem e você acaba com a mediocridade. [...]

Meu modelo de negócio são os Beatles. Eles equilibravam um ao outro, e o total era maior do que a soma das partes. É como eu vejo os negócios: grandes coisas em termos de negócios nunca são feitas por uma pessoa. São feitas por uma equipe de pessoas".

Steve Jobs (1955-2011)

As crianças da história


"Nós, as pessoas que vocês tentam pisotear, nós somos todos aqueles de quem vocês dependem. Nós somos os que lavam suas roupas, preparam sua comida, lhes servem o jantar. Nós arrumamos sua cama. Nós cuidamos de vocês enquanto vocês dormem. Nós dirigimos as ambulâncias. Nós lhes passamos suas ligações ao telefone. Nós somos cozinheiros e motoristas de táxi, e sabemos tudo sobre vocês. Nós cuidamos dos seus pedidos de indenização às seguradoras e dos seus pagamentos com cartão de crédito. (...)

Nós somos as crianças da história, entre mais velhos e caçulas, criados pela televisão na convicção de que um dia seremos milionários, vedetes de cinema, estrelas de rock, mas isso nunca vai acontecer. E nós simplesmente estamos aprendendo esse pequeno fato, diz Tyler. Então não brinquem com a gente."

Chuck Palahniuk (1962-). Fight Club (1996). Paris: Gallimard, 1999, p. 235-6

["Nous, les gens que vous essayez de piétiner, nous sommes tous ceux dont vous dépendez. Nous sommes ceux-là même qui vous blanchissent votre linge, vous préparent votre nourriture, vous servent à dîner. Nous faisons votre lit. Nous veillons sur vous pendant que vous dormez. Nous conduisons les ambulances. Nous vous donnons vos correspondants au téléphone. Nous sommes cuisiniers et chauffeurs de taxi, et nous savons tout de vous. Nous traitons vos demandes d'indemnisation d'assurance et vos paiements par carte de crédit. (...)

Nous sommes les enfants de l'histoire, entre aînés et cadets, élevés par la télévision dans la conviction qu'un jour nous serons millionnaires, vedettes de cinéma, stars du rock, mais cela ne se fera pas. Et nous sommes simplement en train d'apprendre ce petit fait, dit Tyler. Alors ne déconnez pas avec nous."]

Eu era perfeito demais


"Eu estava cansado, eu estava doido, eu estava sempre sob pressão, e cada vez que eu entrava num avião eu queria vê-lo se espatifar. Eu tinha inveja das pessoas que morriam de câncer. Eu odiava a minha vida. Eu estava cansado a ponto de morrer de tédio por causa do meu emprego e da minha mobília, e eu não conseguia encontrar uma maneira de mudar as coisas.

Simplesmente como colocar um fim nisso.

Eu me sentia preso numa armadilha.

Eu era completo demais.

Eu era perfeito demais."

Chuck Palahniuk (1962-). Fight Club (1996). Paris: Gallimard, 1999, p. 245

["J'étais fatigué, j'étais dingue, j'étais toujours sous pression, et chaque fois que je montais à bord d'un avion, je voulais voir l'avion s'écraser. J'enviais les gens qui se mouraient du cancer. Je haïssais la vie qui était la mienne. J'étais fatigué à en mourrir d'ennui par mon boulot et mon mobilier, et je ne parvenais pas à voir la manière de changer les choses.

Simplement comment y mettre un terme.

Je me sentais pris au piège.

J'étais trop complet.

J'étais trop parfait."]

Escola da Serra


Educação na Finlândia

“...eu esperava encontrar muita tecnologia, e não é bem assim. Tem o básico, um retroprojetor, iPad em algumas aulas. O importante, no entanto, não é isso.

É o ensino conectado com a realidade, é a aprendizagem ser significativa. Uma turma que acompanhei foi visitar um balé. Aprendeu conceitos de física como inércia e movimento com os passos de dança, vendo a bailarina rodar no próprio eixo. O professor de artes falou do contexto do espetáculo e o de história, do enredo. [...]

Fiquei na Finlândia dois meses, e, logo nos primeiros dias, me chamou muito a atenção o fato de o aluno ser prioridade total no processo, pois é ele próprio quem conduz e gerencia sua aprendizagem. Eles valorizam menos conteúdos ligados ao programa e mais o acompanhamento de como cada criança ou adolescente vai identificar e desenvolver suas competências.

Desde muito cedo, são observadas as necessidades e deficiências de cada aluno e elaborados planos individuais de estudos. Assim, todos têm o suporte necessário para superar possíveis dificuldades. Esse apoio vem do professor e de uma equipe formada por especialistas da escola que orienta os estudantes para que eles se tornem autônomos, motivados e confiantes.”

Matéria BBC

sábado, 12 de novembro de 2016

Fight Club

"Tyler diz que estou longe de ter atingido o fundo, por enquanto. E que se eu não desabar completamente, não posso ser salvo. (...) Eu não deveria me contentar apenas em abandonar dinheiro, posses e saber. (...) Eu deveria fugir de toda ideia de progressos pessoais, eu deveria ao contrário me precipitar depressa rumo ao desastre. Eu não posso mais me contentar em jogar o jogo sem me arriscar.

Isto não é um seminário.

– Se você perde seu sangue-frio antes de ter atingido o fundo, diz Tyler, você jamais conseguirá verdadeiramente.

Somente após o desastre é que podemos ressuscitar.

– Só após termos perdido tudo, diz Tyler, é que somos livres para fazer o que queremos."

Chuck Palahniuk (1962-). Fight Club (1996). Paris: Gallimard, 1999, p. 99

["Tyler dit que je suis loin d'avoir atteint le fond, pour l'instant. Et si je ne dégringole pas complètement, je ne peux pas être sauvé. (...) Je ne devrais pas juste me contenter d'abandonner argent, possessions et savoir. (...) Je devrais fuir toute idée de progrès personnels, je devrais au contraire me précipiter au pas de course vers le désastre. Je ne peux plus me contenter de jouer le jeu sans prendre de risques.

Ceci n'est pas un séminaire.

– Si tu perds ton sang-froid avant d'avoir touché le fond, dit Tyler, tu ne réussiras jamais vraiment.

Ce n'est qu'après le désastre que nous pouvons ressusciter.

– Ce n'est qu'après avoir tout perdu, dit Tyler, qu'on est libre de faire ce que l'on veut."]

Não me abraces



"Existe sim, eu juro por Pã e por Dioniso,
um fogo escondido debaixo das cinzas;
desconfio de mim. Não me abraces; muitas vezes,
rio calmo rói o muro pela base."


Calímaco, XII: 139

Photo: © Kyle • Thompson

não há alívio


"não há alívio, só gurus e deuses auto-
nomeados e camelôs.
quanto mais as pessoas dizem, tanto menos há
para dizer. 
até mesmo os melhores livros são serragem seca. [...]



tamanha tristeza: tudo tentando
abrir-se em
flor.
todo dia deveria ser um milagre em vez de
uma maquinação."


Charles Bukowski (1920-1994). As pessoas parecem flores finalmente. Porto Alegre: L&PM, 2015, p. 223

sono profundo


"a morte nem sempre chega como uma bomba
ou uma puta gorda
às vezes a morte rasteja polegada a polegada
como uma pequena aranha rastejando na sua barriga
enquanto você
dorme."


Charles Bukowski (1920-1994). As pessoas parecem flores finalmente. Porto Alegre: L&PM, 2015, p. 245

Hemingway


"em seu derradeiro dia
Hemingway acenou para
alguns garotos indo para a escola,
eles acenaram de volta, e ele nunca tocou o suco de laranja
à sua frente;
então ele enfiou aquela arma em sua boca como um
canudinho
e apertou o gatilho
e um dos poucos imortais da América
era sangue e miolos pelas paredes e pelo
forro da sala"


Charles Bukowski (1920-1994). As pessoas parecem flores finalmente. Porto Alegre: L&PM, 2015, p. 238

Foto: Ernest Hemingway (1899-1961)

morrer

"aqui estou eu sentado sozinho
feito um frouxo

ouvindo Chopin

o vento noturno soprando
através das
cortinas rasgadas.

hoje ganhei 546 dólares nas corridas mas
agora estou pensando que
morrer é uma coisa tão
estranha e ordinária.

só espero nunca precisar
de uma dentadura postiça antes de
ir embora."

Charles Bukowski (1920-1994). As pessoas parecem flores finalmente. Porto Alegre: L&PM, 2015, p. 271

sobrevivi


"minha própria 
história:
este modo terrível de
viver.



mas sinto que agora agarrei
a vitória
sobre toda essa inútil
negra e furiosa
histeria.



sobrevivi a tudo
isso e
podem me dar porradas com suas
vidas raivosas e
me queimar em meu
leito de morte.



mas de algum modo
encontrei uma paz
perpétua
que nunca conseguirão
tirar 
de mim."


Charles Bukowski (1920-1994). As pessoas parecem flores finalmente. Porto Alegre: L&PM, 2015, p. 280

quero morrer depressa


"Silêncio depressa! Tragam dos mares fundos silêncios
Tragam do ar mais distante silêncio!
Tragam silêncio do centro da terra depressa!
Tragam do inferno o silêncio dos condenados que descansam.
Tragam do céu o silêncio das beatitudes
O silêncio do voo dos anjos pelos tempos sem espaço, tragam depressa
O silêncio dos mortos recém-nascidos, tragam depressa.
Tragam o silêncio dos corpos, dos bêbados dormindo
Tragam o silêncio dos loucos
O silêncio dos mundos, dos tempos.
O silêncio do que ainda vai se realizar, tragam depressa
Tragam por Deus, que eu quero morrer depressa!"


Augusto Frederico Schmidt (1906-1965). Antologia Poética. Rio de Janeiro: Leitura, 1962, p. 44

alone

there is a black hole in my office
freezing the air.

the whole thing widens
its mouth, screaming,
calling for
darkness around me; my head
pulses,
my beard tickles
my skin.


and i’m old.

i’m dying.

the cold air
pulls me
from my guts,
from my brain,
from my heart

and i go
silently
and peacefully

into

the

abyss.

Flávio Marcus da Silva (1975-)

seu novo livro


"eu jogo seu novo livro
na cesta de papéis.
eu não o quero
por perto.



agora ele é um
escritor de sucesso
o que significa 
que seu trabalho
não deixa mais
ninguém
zangado
enojado
ou triste.



nunca faz
ninguém 
rir.



nunca faz
ninguém
ter aquele arrepio de maravilhamento
ao ler
aquilo."


Charles Bukowski (1920-1994). As pessoas parecem flores finalmente. Porto Alegre: L&PM, 2015, p. 276

Desassossego


"Acordei hoje muito cedo, num repente embrulhado, e ergui-me logo da cama, sob o estrangulamento de um tédio incompreensível. Nenhum sonho o havia causado; nenhuma realidade o poderia ter feito. Era um tédio absoluto e completo, mas fundado em qualquer coisa. No fundo obscuro da minha alma, invisíveis, forças desconhecidas travavam uma batalha em que meu ser era o solo, e todo eu tremia do embate incógnito. Uma náusea física da vida inteira nasceu com o meu despertar. Um horror a ter que viver ergueu-se comigo da cama. Tudo me pareceu oco e tive a impressão fria de que não há solução para problema algum. Uma inquietação enorme fazia-me estremecer os gestos mínimos. Tive receio de endoidecer, não de loucura, mas de ali mesmo. O meu corpo era um grito latente. O meu coração batia como se soluçasse."

Fernando Pessoa (1888-1935). Livro do desassossego. Porto: Assírio e Alvim, 2013, n. 98. Citado por Adriano Oliveira. O tédio no 'Livro do Desassossego'.

Escolhas


“...as escolhas foram programadas, são impostas. A partir do condicionamento escolar, quando a criança entra na escola, vão dizer para ela: ‘Você não pode se divertir enquanto aprende’. Porra, aprender é divertido, cara! Tem que ser divertido. Tem que ser com prazer. Mas a criança já vai sendo enquadrada para encarar o trabalho como sacrifício. Você vai se divertir na hora do RECREIO. Setoriza sua alegria. Você vai se divertir nas horas vagas. No fundo, você vai viver nas horas vagas. Você vai fazer o que você gosta nas horas vagas. Você está sendo programado para odiar o seu trabalho, para adorar a sexta-feira, para você, quando for se divertir, estar tão pressionado, que você não vai se divertir, você vai descarregar. E nesse descarrego, você vai consumir. E nesse consumo, você vai dar lucro. Até o seu prazer vai ser controlado, vai ser induzido.”

Eduardo Marinho, artista de rua

Simplicidade

"O problema é que vivemos em um mundo no qual se acredita que aquele que triunfa deve possuir muito dinheiro, ter privilégios, uma casa grande, mordomos, muitos servidores, férias superluxuosas. Entretanto, eu acho que esse modelo de sucesso é apenas um modo idiota de se complicar a vida. Eu acho que quem passa a sua vida acumulando riqueza está doente assim como um toxicodependente, deveria se tratar. [...]

Eu conheci multimilionários, até mesmo muito idosos. E perguntei a muitos por que razão continuavam acumulando dinheiro se, no fim das contas, deveriam deixá-lo aqui. A resposta sempre foi que não podiam deixar de fazer isso, como uma doença. [...]

A minha ideia de felicidade é especialmente anticonsumista. [...] Parece que nascemos apenas para consumir e, se não podemos mais fazer isso, sofremos a pobreza. Mas, na vida, é mais importante o tempo que podemos dedicar ao que gostamos, aos nossos afetos e à nossa liberdade. E não aquele em que somos obrigados a ganhar cada vez mais para consumir cada vez mais. Não estou fazendo nenhuma apologia da pobreza, mas apenas da sobriedade. [...]
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“As pessoas dedicam toda a sua vida ao trabalho, a produzir riqueza, para poder consumir, para gerar esse crescimento econômico. Mas a vida não é só trabalho. É preciso viver, é preciso amar, é preciso ser feliz, precisa-se de tempo para viver, amar e ser feliz. Ninguém compra cinco anos de vida no supermercado. [...]

A acumulação capitalista necessita que compremos, compremos e gastemos e gastemos. Vendem mentiras até que te tiram o último dinheiro. Essa é a nossa cultura e a única saída é a contracultura.”

Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai

Veneno

"Mostrar cólera e ódio nas palavras ou no semblante é inútil, perigoso, imprudente, ridículo e comum. Não devemos mostrar a nossa cólera ou o nosso ódio senão por meio de atos; e estes podem ser praticados tanto mais perfeitamente quanto mais perfeitamente tivermos evitado os primeiros. Os animais de sangue frio são os únicos que têm veneno."

Arthur Schopenhauer (1788-1860). Aforismos para a Sabedoria de Vida

Velhice

"Com o passar do tempo, há dois sentimentos que desaparecem: a vaidade e a inveja. A inveja é um sentimento horrível. Ninguém sofre tanto como um invejoso. E a vaidade faz-me pensar no milionário Howard Hughes. Quando ele morreu, os jornalistas perguntaram ao advogado: 'Quanto é que ele deixou?'. O advogado respondeu: 'Deixou tudo.' Ninguém é mais pobre do que os mortos."

António Lobo Antunes, escritor português. In: Diário de Notícias (2004)