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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Depressão espiritual


"Você tem uma classe inteira de rapazes e moças fortes e sólidos, e eles querem dar suas vidas para alguma coisa. A publicidade faz com que eles corram atrás de carros e roupas que eles não precisam. Eles trabalham em profissões que odeiam, por gerações inteiras, unicamente para poder comprar aquilo que eles verdadeiramente não precisam.

Nós não temos uma grande guerra na nossa geração, nem uma grande depressão, mas sim, no entanto, nós temos uma grande guerra do espírito. Nós temos uma grande revolução contra a cultura. A grande depressão, são nossas existências. Nós temos uma grande depressão espiritual."

Chuck Palahniuk (1962-). Fight Club (1996). Paris: Gallimard, 1999, p. 214-215

["Tu as une classe entière de jeunes hommes et femmes forts et solides, et ils veulent donner leur vie pour quelque chose. La publicité les fait tous courir après des voitures et des vêtements dont ils n'ont pas besoin. Ils travaillent dans des métiers qu'ils haïssent, par générations entières, uniquement pour pouvoir acheter ce dont ils n'ont pas vraiment besoin.

Nous n'avons pas de grande guerre dans notre génération, ni de grande dépression, mais si, pourtant, nous avons bien une grande guerre de l'esprit. Nous avons une grande révolution contre la culture. La grande dépression, c'est nos existences. Nous avons une grande dépression spirituelle."]

As crianças da história


"Nós, as pessoas que vocês tentam pisotear, nós somos todos aqueles de quem vocês dependem. Nós somos os que lavam suas roupas, preparam sua comida, lhes servem o jantar. Nós arrumamos sua cama. Nós cuidamos de vocês enquanto vocês dormem. Nós dirigimos as ambulâncias. Nós lhes passamos suas ligações ao telefone. Nós somos cozinheiros e motoristas de táxi, e sabemos tudo sobre vocês. Nós cuidamos dos seus pedidos de indenização às seguradoras e dos seus pagamentos com cartão de crédito. (...)

Nós somos as crianças da história, entre mais velhos e caçulas, criados pela televisão na convicção de que um dia seremos milionários, vedetes de cinema, estrelas de rock, mas isso nunca vai acontecer. E nós simplesmente estamos aprendendo esse pequeno fato, diz Tyler. Então não brinquem com a gente."

Chuck Palahniuk (1962-). Fight Club (1996). Paris: Gallimard, 1999, p. 235-6

["Nous, les gens que vous essayez de piétiner, nous sommes tous ceux dont vous dépendez. Nous sommes ceux-là même qui vous blanchissent votre linge, vous préparent votre nourriture, vous servent à dîner. Nous faisons votre lit. Nous veillons sur vous pendant que vous dormez. Nous conduisons les ambulances. Nous vous donnons vos correspondants au téléphone. Nous sommes cuisiniers et chauffeurs de taxi, et nous savons tout de vous. Nous traitons vos demandes d'indemnisation d'assurance et vos paiements par carte de crédit. (...)

Nous sommes les enfants de l'histoire, entre aînés et cadets, élevés par la télévision dans la conviction qu'un jour nous serons millionnaires, vedettes de cinéma, stars du rock, mais cela ne se fera pas. Et nous sommes simplement en train d'apprendre ce petit fait, dit Tyler. Alors ne déconnez pas avec nous."]

Eu era perfeito demais


"Eu estava cansado, eu estava doido, eu estava sempre sob pressão, e cada vez que eu entrava num avião eu queria vê-lo se espatifar. Eu tinha inveja das pessoas que morriam de câncer. Eu odiava a minha vida. Eu estava cansado a ponto de morrer de tédio por causa do meu emprego e da minha mobília, e eu não conseguia encontrar uma maneira de mudar as coisas.

Simplesmente como colocar um fim nisso.

Eu me sentia preso numa armadilha.

Eu era completo demais.

Eu era perfeito demais."

Chuck Palahniuk (1962-). Fight Club (1996). Paris: Gallimard, 1999, p. 245

["J'étais fatigué, j'étais dingue, j'étais toujours sous pression, et chaque fois que je montais à bord d'un avion, je voulais voir l'avion s'écraser. J'enviais les gens qui se mouraient du cancer. Je haïssais la vie qui était la mienne. J'étais fatigué à en mourrir d'ennui par mon boulot et mon mobilier, et je ne parvenais pas à voir la manière de changer les choses.

Simplement comment y mettre un terme.

Je me sentais pris au piège.

J'étais trop complet.

J'étais trop parfait."]

sábado, 12 de novembro de 2016

Fight Club

"Tyler diz que estou longe de ter atingido o fundo, por enquanto. E que se eu não desabar completamente, não posso ser salvo. (...) Eu não deveria me contentar apenas em abandonar dinheiro, posses e saber. (...) Eu deveria fugir de toda ideia de progressos pessoais, eu deveria ao contrário me precipitar depressa rumo ao desastre. Eu não posso mais me contentar em jogar o jogo sem me arriscar.

Isto não é um seminário.

– Se você perde seu sangue-frio antes de ter atingido o fundo, diz Tyler, você jamais conseguirá verdadeiramente.

Somente após o desastre é que podemos ressuscitar.

– Só após termos perdido tudo, diz Tyler, é que somos livres para fazer o que queremos."

Chuck Palahniuk (1962-). Fight Club (1996). Paris: Gallimard, 1999, p. 99

["Tyler dit que je suis loin d'avoir atteint le fond, pour l'instant. Et si je ne dégringole pas complètement, je ne peux pas être sauvé. (...) Je ne devrais pas juste me contenter d'abandonner argent, possessions et savoir. (...) Je devrais fuir toute idée de progrès personnels, je devrais au contraire me précipiter au pas de course vers le désastre. Je ne peux plus me contenter de jouer le jeu sans prendre de risques.

Ceci n'est pas un séminaire.

– Si tu perds ton sang-froid avant d'avoir touché le fond, dit Tyler, tu ne réussiras jamais vraiment.

Ce n'est qu'après le désastre que nous pouvons ressusciter.

– Ce n'est qu'après avoir tout perdu, dit Tyler, qu'on est libre de faire ce que l'on veut."]