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sexta-feira, 13 de março de 2015

Solidão


"O que é necessário é apenas o seguinte: solidão, uma grande solidão interior. Entrar em si mesmo e não encontrar ninguém durante horas, é preciso conseguir isso. Ser solitário como se era quando criança, quando os adultos passavam para lá e para cá, envolvidos com coisas que pareciam importantes e grandiosas, porque esses adultos davam a impressão de estarem tão ocupados e porque a criança não entendia nada de seus afazeres. E um dia, ao percebermos que suas ocupações são mesquinhas, que suas profissões são enrijecidas e não estão mais ligadas à vida, por que não olhar para eles como uma criança observa algo de estranho, partir da profundeza do próprio mundo, da amplitude da própria solidão, que é ela mesma um trabalho, um cargo e uma profissão?"


Rainer Maria Rilke (1875-1926). Cartas a um jovem poeta

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A Walk


"My eyes already touch the sunny hill.
going far ahead of the road I have begun.
So we are grasped by what we cannot grasp;
it has inner light, even from a distance –
and charges us, even if we do not reach it,
into something else, which, hardly sensing it,
we already are; a gesture waves us on
answering our own wave...
but what we feel is the wind in our faces."
Rainer Maria Rilke (1875-1926). A Walk. In: poemhunter.com

domingo, 17 de novembro de 2013

Solemn Hour


"Whoever now weeps somewhere in the world,
weeps without reason in the world,
weeps over me.

Whoever now laughs somewhere in the night,
laughs without reason in the night,
laughs at me.

Whoever now wanders somewhere in the world,
wanders without reason out in the world,
wanders toward me.

Whoever now dies somewhere in the world,
dies without reason in the world,
looks at me."

Rainer Maria Rilke (1875-1926)

Fonte: Poemhunter

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Death


"Before us great Death stands
Our fate held close within his quiet hands.
When with proud joy we lift Life’s red wine
To drink deep of the mystic shining cup
And ecstasy through all our being leaps —
Death bows his head and weeps."

Rainer Maria Rilke (1875-1926)

sábado, 23 de fevereiro de 2013

A grande tempestade


Que pequeno é aquilo contra que lutamos, 
como é imenso o que contra nós luta; 
se nos deixássemos, como fazem as coisas, 
assaltar assim pela grande tempestade,
chegaríamos longe e seríamos anônimos. 

Triunfamos sobre o que é pequeno
e o próprio êxito torna-nos pequenos.
Nem o eterno nem o extraordinário
serão derrotados por nós.

(...)

Os triunfos já não o tentam.
O seu crescimento é: ser o profundamente vencido
por algo cada vez maior.

Rainer Maria Rilke (1875-1926). In: O Livro das Imagens (1902). Trad. de Maria João Costa Pereira

Versão em inglês do original em alemão:

What we choose to fight is so tiny!
What fights us is so great!
If only we would let ourselves be dominated
as things do by some immense storm,
we would become strong too, and not need names.

When we win it's with small things,
and the triumph itself makes us small.
What is extraordinary and eternal
does not want to be bent by us.

(...)

Winning does not tempt that man.
This is how he grows: by being defeated, decisively,
by constantly greater beings.

Trad. de Robert Bly