Mostrando postagens com marcador Van Gogh. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Van Gogh. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Inspiração



"Quando a natureza é tão bela como nestes dias, sinto às vezes uma lucidez terrível, então não me reconheço mais, e o quadro me vem como num sonho."

Vincent Van Gogh (1853-1890). In: David Haziot. Van Gogh. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 213

Imagem: "Noite estrelada sobre o Ródano" (1889), de Vincent Van Gogh

Autorretrato com a orelha cortada



"O Vincent que vimos, tão confiante na sua arte, com uma euforia interior indispensável para realizar uma obra em que a cor atingia tal intensidade, estava morto. O homem que o zuavo Milliet descrevia como o inocente que compunha telas de cores alucinantes não existia mais. Daqui por diante, é quase uma sombra que seguiremos até o fim, ou um morto em liberdade condicional que não cessa de automutilar-se, para denegrir sua obra ou atentar contra sua vida, até o momento de realizar a mutilação suprema que é o suicídio."

David Haziot. Van Gogh. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 254

Imagem: "Autorretrato com a orelha cortada" (1889), de Vincent Van Gogh (1853-1890)

Campo de trigo com corvos



"'Mas o que você quer?', ele escreve. Esse 'o que você quer?', marca de impotência, que surge aqui, o acompanhará até o fim e será a última frase que Théo lerá do irmão. 'Infelizmente é muito complicado de várias formas, meus quadros não têm valor, custam-me, é verdade, despesas extraordinárias, às vezes mesmo em sangue e cérebro. Não vou insistir, e o que quer que eu diga?'."

David Haziot. Van Gogh. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 260

Imagem: "Campo de trigo com corvos" (1890), de Vincent Van Gogh (1853-1890)

Obrigado, Théo



"Enviarei nos próximos dias duas caixas de quadros, alguns dos quais não tenha receio de destruir." / "Há um monte de lixo dentro, que deverá ser destruído, mas os enviei assim mesmo para que você possa conservar o que julgar passável."

Trechos de duas cartas de Vincent Van Gogh (1853-1890) ao seu irmão Théo, antes e depois de enviar a ele duas caixas contendo quadros seus. O biógrafo do pintor, David Haziot, comenta: 

"Lixo! O resto sendo apenas 'passável'! A história da arte deve muito a Théo por não ter levado em conta essas instruções".

David Haziot. Van Gogh. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 272

Perto do fim



"Quanto mais sua pintura encontra o amor e a admiração dos homens, mais ele busca se esconder, não aparecer, não ser o que foi – não existir, em suma. Tocamos aqui o núcleo do drama de Vincent, fracassar para dar razão ao pai.

Vincent tem uma crise, a que esperava e cujas emoções o exauriam. Mas ela surpreende pela brevidade: apenas uma semana.

Durante esses dias tentou novamente suicidar-se engolindo tintas. A ligação entre esses tubos de tinta e o remorso em relação ao pai parece evidente. Por enquanto, Vincent só tentou suicidar-se ingerindo material de pintura: essência de terebintina ou tintas. Ao mesmo tempo, porém, espera com ansiedade que Peyron o autorize de novo a pintar, pois só isso o equilibra. Está crucificado entre duas forças que não mais domina: o ato de pintar o salva ao mesmo tempo em que o condena. Peyron aceita devolver-lhe seu material. Théo insistiu junto ao doutor e também sugeriu a Vincent desenhar, por ora, para não ter os tubos ao alcance da mão."

David Haziot. Van Gogh. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 288

sábado, 29 de março de 2014

Van Gogh



"Os autorretratos de Vincent reafirmavam a preeminência do indivíduo, do eu, diante do resto do mundo, na situação de adversidade social extrema que esse artista conheceu. Este sou eu, este que vocês veem no seu sofrimento ou na sua alegria, eu existo por essas cores e essas manchas na tela, e tenho razão de prosseguir o caminho que escolhi, do jeito que escolhi. Quanto maior a adversidade e mais próxima parece a morte, tanto mais esse lutador infatigável parece querer nos dar uma lição admirável de coragem moral. No limiar de um século XX que ele sonhava idílico e que foi tão cruel, o conjunto de autorretratos de Vincent, a maioria dos quais realizados em Paris, é como uma nova confirmação da força espantosa de uma civilização paradoxal que inflige às vezes o martírio aos que a renovam, salvando-a da esclerose e da morte."

David Haziot. Van Gogh. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 174

Paisagens de Van Gogh



"Imaginem esse artista sozinho no campo, pintando ajoelhado diante do vento! As pessoas da região por certo logo o tomaram por doido, pois a imagem está muito distante da de um pintor de domingo que medita longamente as pequenas pinceladas. O que elas viam era um louco num campo ventoso e se perguntavam que tesouro ele buscava. Como observou muito bem Meyer Schapiro, são paisagens arrancadas num instante fugaz, e suas cores e a paixão da pincelada fazem delas uma visão do paraíso."

David Haziot. Van Gogh. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 198