Mostrando postagens com marcador Mario Quintana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mario Quintana. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 15 de julho de 2015

A vida é um incêndio

"A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida..."


Mario Quintana (1906-1994)

sábado, 27 de julho de 2013

Rapa-tudo


"Há ocasiões em que não consegues nada, nem um sorriso, outras em que consegues tudo, até cartas de recomendação. Não te queixes, nem te gabes. Era que os anjos estavam brincando de rapa-bota-tira-deixa...

E a tua história quotidiana é tecida ao acaso dos lances.

Até que sobrevenha o R do rapa-tudo.

(Aí então os anjos te recolherão.)"

Mario Quintana (1906-1994). Poesias. Editora Globo, p. 94

Ilusões perdidas


"Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.
Com ele ia subindo a ladeira da vida.
E, no entretanto, após cada ilusão perdida...
Que extraordinária sensação de alívio!"

Mario Quintana (1906-1994). Poesias. Editora Globo, p. 115

no doido afã


"Lida no doido afã!
Vamos! Investe, vai contra os moinhos de vento!
Um dia tu verás que tudo é sombra vã,
Tênue fumo que a morte assopra num momento..."

Mario Quintana (1906-1994). Poesias. Editora Globo, p. 136

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Tudo comporta o seu prazer


"Tudo, mesmo a velhice, mesmo a doença,
Tudo comporta o seu prazer...
E até o pobre moribundo pensa
Na maneira mais suave de morrer..."

Mario Quintana (1906-1994). Poesias. Editora Globo, p. 111

sábado, 19 de janeiro de 2013

velhos sonhos de infância


"O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
Contra uma parede nua...
Sentou-se... e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Glória,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E então a Morte,
Ao vê-lo tão sozinho àquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali a sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se até não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!"

Mario Quintana (1906-1994)

Fonte: Jornal da Poesia

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Estrelas e madrugadas


Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!

(...)

Oh! todo o sossego e lucidez das madrugadas, quando o último grilo já parou seu canto e ainda não se ouviu o canto do primeiro pássaro...

Mario Quintana