quarta-feira, 10 de outubro de 2007

La Mort

Hier je suis allé à une maison d’accueil pour des personnes agées à Pará de Minas, avec ma tante Lêda, Fabíola et Israel. J’avais l’habitude d’y aller avec mon grand-père quand il était vivant. Pourtant, hier, l’expérience a été différente. Nous avons visité la chambre d’un monsieur très sympathique, avec un incroyable talent pour la musique. Ils nous a fait le cadeau de quelques chansons très belles. Il m’a même fait pleurer. Après, nous sommes allés voir les femmes, la plupart avec des problèmes mentaux, n’ayant pas conscience de ce qui se passe autour d’elles, perdues dans les ombres de la folie. J’ai peur de terminer mes jours ainsi, tout seul, dans un hospice, avec des veillards de partout, enfermé avec eux pour attendre la mort. J’ai peur de ne pas être jeune, vigoureux, beau; de ne pouvoir plus avoir des rapports avec une femme; d’être obligé de fermer mes yeux tous les soirs avec la certitude presque concrète de la mort qui s’approche, du froid éternel qui me prend chaque nuit avec plus de vigueur, comme si c’était pour m’avertir petit à petit que je n’aurai plus de temps pour avoir et concrétiser des projets. Je suis vivant et heureux aujourd’hui parce que j’ai un projet de vie. J’ai 25 ans, je veux devenir un bon professeur, je veux me marier, avoir des enfants, connaître l’Europe, etc. Je ne saurai pas comment réagir devant l’avenir qui se termine.
Belo Horizonte, le 02 octobre, 2000.

2 comentários:

Joandre Oliveira Melo disse...

Realmente, não sabemos o amanhã. Ninguém sabe o que o destino o reserva. Para os existencialistas, parece que existência esvai-se em si mesma, ou seja, o sentido da existência é o seu fim...
Entretanto, conscientes de nossa etérea existência, podemos dar-lhe algum sentido. Talvez poderemos ser mais do que fomos em nosso passado ancestral... Talvez estejamos voltando a ele... A velhice nos ensina a perdermos a arrogância, mostra-nos a nossa verdadeira posição neste cosmo. Mas, o mais maravilhoso é que estamos neste cosmos, fazemos parte dele, já não somos mais o nada; somos, logo, existimos. Existimos porque fazemos, criamos, passamos o nosso tempo, os dias do resto de nossas vidas criando, fazendo. E ao crepúsculo de nossa existência, poderemos sentar-nos debaixo de uma árvore e, então, vislumbraremos tudo aquilo que fizemos, e deixamos à posteridade. Porque a vida nada mais é, do que o eterno devir da Posteridade...

Joandre Oliveira Melo disse...

Flávio, não pude deixar de comentar sobre o tema do seu presente texto. Hoje relendo a introdução dos Ensaios do nobre filósofo Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592), deparei-me com uma passagem interessante, já não me lembro quando a lí pela primeira vez.

A passagem torna-se mais interessante, pois, você já esteve no local recentemente. O palco é o cemitério de Père Lachaise e o parágrafo diz o seguinte:

Em 1833, Emerson [Acredito que seja o famoso escritor norte americano Ralph Waldo Emerson (1803-1882)] achava-se em Paris e não sei por que acaso deteve-se certa vez, no cemitério de Père Lachaise, ante o túmulo de um desconhecido cuja laje lh indicava o nome: Auguste Collignon. Esse homem morrera em 1830, aos setenta e oito anos, e a inscrição esclarecia que "vivera para fazer o bem, tendo haurido suas virtudes nos Ensaios de Montaigne".
Prólogo da edição completa dos Ensaios: Ediouro 198?. Por Pierre Moreau, Tradução de Sérgio Milliet.