quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Herança paterna

Não nasci sem pai:
ele esperou até que eu nascesse.

Depois,
ao constatar o sexo frágil
de sua quarta frágil-filha-mulher,
ele, o homem forte,
se foi.

Como herança,
deixou-me esta aptidão
para vôos interrompidos:

eterno fugir
de onde nunca estivemos.

Sônia Barros (1968-)

2 comentários:

Granma disse...

Como sempre e em quaisquer circunstâncias, eis meu primo insistentemente BARROCO.

Rafinha disse...

Lindo!