domingo, 22 de junho de 2014

Morreu



"– Para começar, como é que ele morreu, o sujeito?
– Pegou uma granada bem no meio da fuça, meu chapa, e para completar uma imensa, lá em Garance, era o nome do lugar... na Meuse, na beira de um rio... Não se encontrou nem 'isso' do cara, meu velho! Ficou só a lembrança, sabe... E pensar que era alto e parrudo, o sujeito, forte, e esportivo, mas contra uma granada, hein? Não há quem resista!
– É verdade!
– Mortinho da Silva, foi como ele ficou... A mãe dele ainda se nega a acreditar nisso, até hoje! Por mais que eu diga e repita... Quer que ele esteja só desaparecido... É completamente cretina uma ideia dessas... Desaparecido! Não é culpa dela, coitada, nunca viu uma granada, não pode entender que a gente some pelos ares assim, que nem um peido, e que depois tudo acaba, sobretudo porque é o filho dela..."

Louis-Ferdinand Céline (1894-1961). Viagem ao fim da noite (1932). São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 117

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